ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?

"[...] O seu dinheiro nasce

de repente

E embora não se saiba

se é verdade

Você acha nas ruas

Diariamente

Anéis, dinheiro e até

felicidade

E o povo já pergunta

com maldade

Onde está a honestidade?

Onde está a honestidade?

(Onde está a honestidade?, samba de *Noel Rosa)

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A política na conjuntura nacional tem projetado no inconsciente coletivo do cidadão comum a descrença, o sentimento de que "todo mundo é farinha do mesmo saco" e, produziu o maior dos males, maior até que a pobreza que assola nosso país, maior que a exclusão social que tanto tem enclausurado as famílias brasileiras atrás das jaulas de seus lares; o mal maior do que o toma-lá-da-cá da politica eleitoreira de políticos carreiristas e mestre na arte do jeitinho, que de Brasil só tem esses lobos em pele de brasileiro, foi a produção em massa do chamado: ANALFABETO POLÍTICO. Segundo a definição mais corrente, corrupção se define como:

“[...] apropriação ilegal de recursos públicos para fins privados. Sempre que há um agente público corrupto há também um interesse privado, que é o corruptor. Na chamada “pequena” corrupção, a do balcão, o perpetrante é um funcionário público individual, que se prevalece de sua posição para cobrar propinas para fazer aquilo que é sua obrigação. O interesse privado envolvido no ato não é apenas o do próprio funcionário, mas inclui também o cidadão que paga a gorjeta.

Essa “pequena” corrupção é muito problemática porque destrói a confiança do cidadão no poder público e sinaliza cotidianamente o desgaste das instituições. Em termos financeiros, porém, representa pouco. [...]”

(ABRAMO, artigo publicado no site www.krollworldwide.com)

Para o analfabeto político, filho da cultura da vantagem, cidadania é, apenas, votar uma vez a cada dois anos, e no fundo, se pudesse não votaria. Sua indignação pela situação de corrupção nas cadeiras do parlamento e do executivo se traduz no voto nulo, deixando para os outros o poder de decidir.
Sem dúvida, muitos dos problemas sociais que fatigam a nossa sociedade proliferam na impunidade dos crimes de corrupção. As contradições e perplexidades da populaçãop perante os dois pesos e duas medidas que colocam ladrão de galinha para cumprir pena por furto qualificado, e por outro lado, protege os criminosos de colarinho branco de responder judicialmente.

Por isso, enquanto, poucos cidadãos acompanham a a atividade politica para reconhecer aqueles que melhor vão representar os interesses da comunidade. Um batalhão de analfabetos políticos grita: EU VOTO NULO, POR QUE NÃO GOSTO DE POLÍTICA.



*Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 - 4 de maio de 1937) foi um sambista, cantor, compositor, bandolista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.

E AGORA JOSÉ? TODOS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS

"E agora, José?
...
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!"
Carlos Drumond de Andrade


A Constituição de 1988 no seu artigo 6ª decreta: "São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."
A desigualdade no Brasil, é sem dúvida alguma, o grande desafio para os operadores do Direito numa ordem jurídica que assume sua essência no conceito de Estado Democrático de Direito. Como explicar que uma das mais desenvolvidas economias do mundo, não garanta direitos tão básicos descritos como direitos sociais assegurados pelo diploma maior da república, mas nem por isso tão, flagrante mente violados por sua não efetividade.

Não deixa de ser oportuno relembrar a letra da canção:

"há muitas vozes repetindo a mesma frase:
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira
são todos iguais e tão desiguais
uns mais iguais que os outros
há pouca água e muita sede
uma represa, um apartheid"
Engenheiros Do Hawaii

Falar de igualdade no Brasil presume uma irônica denúncia de um fato altamente, qual seja a da supremacia de classes sociais abastadas sobre as menos favorecidas. A estratificação social é marcada em alto relevo na sociedade brasileira, que parece não ter superado o velho paradigma da casa grande e da senzala, na mentalidade coronelista da elite brasileira ainda a espera que lhe batam a porta despertando o sono para anunciar que mais gente ganhou consciência de que o Brasil pode ser um grande Quilombo dos Palmares.

Filme: Tempo de Matar ( 1996 / EUA - Direção Joel Schumacher)

O estupro de uma menina negra por dois homens brancos e a vingança de seu pai.Transformam uma pequena cidade no Sul dos Estados Unidos numa Meca de repórteres, fotógrafos e cinegrafistas de todo o país. A população de Clanton, apesar da significativa maioria branca, fica horrorizada e chocada com crime tão desumano.
A oportunidade de promoção na mídia faz com que se trave uma verdadeira guerra de vaidades nos bastidores do caso, envolvendo policiais, advogados, promotores, juízes e lideranças raciais num vale-tudo para não perder um lugar no processo. A opinião pública fica, então, dividida entre os que apóiam a prática da justiça pelas próprias mãos e os que não admitem que um negro acabe com a vida de um branco. O jovem e competente advogado Jack Brigance, também se sente irremediavelmente atraído pelo desafio de defender o negro que fez justiça com as próprias mãos.

Começando um julgamento tumultuado, à frente do caso, Brigance, que quase perde a mulher, vê sua casa incendiada, o marido de sua secretária ser espancado, sua estagiária sofrer um atentado e seu segurança ficar paralítico por causa de um tiro . Mas Brigance não se intimida com os ataques da Ku Klux Klan, recebendo, por outro lado, a inesperada ajuda da idealista Ellen Roarke continuam sua luta até o sucesso no tribunal. Um livro que prende sua atenção do começo ao fim
Essa história rendeu mais um filme - baseado na obra de John Grisham, autor de "A Firma" e "O Cliente" - a respeito do racismo norte-americano. Em uma pequena cidade do Estado do Mississipi, uma criança negra, de 9 anos de idade, é covardemente estuprada e espancada por dois homens brancos embriagados.

Presos horas depois, os criminosos são surpreendidos pelo pai da menina, Carl Lee Hailey (personagem de SAMUEL L. JACKSON) que os mata à frente de todos. Contratado para a defesa de Hailey, o jovem e intrépido advogado Jake Brigance (vivido por MATHEW McCONAUGHEY) enfrenta a ira dos racistas, o medo de seus familiares e amigos e até a parcialidade do juiz do caso, recebendo, por outro lado, a inesperada ajuda da idealista Ellen Roark (SANDRA BULLOCK a representa). A melhor parte do filme se desenvolve no tribunal, com lances inesperados e uma bela argumentação final do advogado. Confira.


DISCUSSÃO JURÍDICA

TEMPO DE MATAR trata de vários assuntos de nosso interesse: a coragem do verdadeiro advogado, que, mesmo sob ameaças e violências a seus familiares e amigos, arrosta os perigos de sua profissão, em nome de uma causa; a estrutura das carreiras do Ministério Público e da Magistratura dos EUA, cuja vinculação política retira a imparcialidade e a independência de seus membros, ensejanjulgamentos do tendenciosos, nos quais a busca da verdade nem sempre é o norte a perseguir; o odioso racismo ainda emergente na sociedade americana, manifestado de modo violento e nem sempre dissimulado. Porém, nosso destaque jurídico vai para um trecho das alegações finais do advogado Brigance, quando exorta os jurados à seguinte reflexão:

"Que parte nossa busca a verdade? Nossa mente ou nosso coração? Eu quis provar que um negro podia ser julgado com justiça no sul... que somos todos iguais aos olhos da lei. Não é verdade, porque os olhos da lei são humanos. Os de vocês e os meus. E até podermos nos ver como iguais, a Justiça nunca será imparcial. Ela continuará sendo um reflexo de nossos preconceitos. Até lá, temos o dever, perante Deus, de buscar a verdade. Não com nossos olhos, com nossas mentes, porque o medo e o ódio fazem surgir o preconceito do convívio, mas com nossos corações, onde a razão não manda"...

advogado Jake Brigance

Ficha Técnica
SINOPSE
Num acesso de ódio, homem negro mata dois racistas brancos que, bêbados, estupraram sua filha de 9 anos. Dois advogados idealistas aceitam a causa, num turbulento julgamento que pode acabar em violência, caso as tensões sociais não sejam refreadas. Dirigido por Joel Schumacher (Um Dia de Fúria) e com Samuel L. Jackson, Matthew McConaughey, Kevin Spacey, Sandra Bullock, Oliver Platt, Donald Sutherland e Kiefer Sutherland no elenco. Baseado em romance de John Grisham.

Tempo de Matar
(A Time to Kill, EUA, 1996)

Gênero: Drama

Duração: 149 min.

Tipo: Longa-metragem / Colorido

Distribuidora(s): Warner Bros.

Produtora(s): Regency Enterprises, Warner Bros. Pictures

Diretor(es): Joel Schumacher

Roteirista(s): John Grisham, Akiva Goldsman


Fontes:

E-PIPOCA - http://epipoca.uol.com.br

ADOROCINEMA .COM - http://www.adorocinema.com

Ministério Público da União - http://www.geocities.com/CapitolHill/Lobby/1647/Filmes