E AGORA JOSÉ? TODOS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS

"E agora, José?
...
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!"
Carlos Drumond de Andrade


A Constituição de 1988 no seu artigo 6ª decreta: "São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."
A desigualdade no Brasil, é sem dúvida alguma, o grande desafio para os operadores do Direito numa ordem jurídica que assume sua essência no conceito de Estado Democrático de Direito. Como explicar que uma das mais desenvolvidas economias do mundo, não garanta direitos tão básicos descritos como direitos sociais assegurados pelo diploma maior da república, mas nem por isso tão, flagrante mente violados por sua não efetividade.

Não deixa de ser oportuno relembrar a letra da canção:

"há muitas vozes repetindo a mesma frase:
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira
são todos iguais e tão desiguais
uns mais iguais que os outros
há pouca água e muita sede
uma represa, um apartheid"
Engenheiros Do Hawaii

Falar de igualdade no Brasil presume uma irônica denúncia de um fato altamente, qual seja a da supremacia de classes sociais abastadas sobre as menos favorecidas. A estratificação social é marcada em alto relevo na sociedade brasileira, que parece não ter superado o velho paradigma da casa grande e da senzala, na mentalidade coronelista da elite brasileira ainda a espera que lhe batam a porta despertando o sono para anunciar que mais gente ganhou consciência de que o Brasil pode ser um grande Quilombo dos Palmares.