
Maquiavel - A Verdade Efetiva das Coisas e o Conceito de Natureza Humana

Maquiavel é, sobretudo, um marco. Um divisor de águas para o pensamento político; antes dele registramos uma rica tradição de tratados políticos, vindos principalmente da Grécia e Roma. Todavia, só a partir dele que essa tradição começa a ganhar rigor.
Note-se que ao considerar seu estudo da atividade política e do gerenciamento do Estado dentro de ótica pragmática e realista, o secretário florentino introduz sua veritá effetualle como objeto de investigação colocando a Ciência Política como uma produtora de conhecimentos úteis aos governantes, uma vez que não parte de repúblicas utópicas e reinos imaginários, mas, das repúblicas que de fato existem ou existiram, das monarquias instauradas ou que foram dissolvidas.
A análise política começa com a obra de Nicolau Maquiavel a liberta-se do “deve ser” que tanto impregnou a reflexão dos clássicos para “o que efetivamente é”; a verdade efetiva das coisas impõe a leitura da realidade despida de intenções divinas; fatalismos sobrenaturais e a imprevisibilidade que assolaram as obras políticas clássicas.
Outro conceito interessante na obra de Maquiavel é a idéia de natureza humana. O pensador florentino descreve os traços humanos imutáveis que ele acredita observar no estudo da história dos homens e afirma em sua mais importante obra: os homens “são ingratos, volúveis, simuladores, covardes, ante os perigos, ávidos lucro” (O Príncipe, capítulo XVII). É uma idéia controversa, pois, está carregada de um conteúdo maniqueísta de ser humano que exclui o homem de seu contexto específico e histórico. A concepção de uma natureza humana entre em choque com a leitura dos pensadores mais respeitados no campo da Filosofia. A principal crítica que é feita é de que a natureza humana não existe, pois, o homem é histórico. O que coloca a visão de Nicolau Maquiavel numa perspectiva fatalista e pouco dinâmica dos seres humanos. Dando ao seu pensamento, que foi um importante marco para o renascimento, um caráter limitado ante as concepções contemporâneas. Contudo, de nossa parte não temos uma posição sobre a questão de assumir a existência de uma natureza humana imutável e, portanto, fora do movimento histórico, uma vez que não podemos negar, citando Rousseau, que o homem durante toda história se apresenta como o único ser que tem o mal como projeto.
Ademais, afora essas controvérsias filosóficas, podemos dizer que “O Príncipe” e todo o pensamento do secretário florentino, se caracterizam pela busca da “verdade efetiva”, o que atualiza a reflexão maquiavelina através dos séculos.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
0 comentários:
Postar um comentário