JUSTIÇA DISTRIBUTIVA E NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO


A Constituição da República instituiu o princípio da igualdade como um dos seus pilares estruturais. O princípio da isonomia é tratado sob vértice da máxima aristotélica que preconiza o tratamento igual aos iguais e desigual aos desiguais, na medida dessa desigualdade. Para Aristóteles, cabe ao governante distribuir a justiça de forma isonômica. Assim podemos destacar em nossa Carta Maior o princípio da justiça distributiva em vários de seus artigos:

“Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade [...]”

O Supremo Tribunal Federal – STF assim se manifestou sobre a missão do Estado de distribuir justiça de forma isonômica:

O princípio da isonomia, que se reveste de auto-aplicabilidade, não é - enquanto postulado fundamental de nossa ordem político-jurídica - suscetível de regulamentação ou de complementação normativa. Esse princípio – cuja observância vincula, incondicionalmente, todas as manifestações do Poder Público – deve ser considerado, em sua precípua função de obstar discriminações e de extinguir privilégios (RDA 55/114), sob duplo aspecto: (a) o da igualdade na lei e (b) o da igualdade perante a lei. A igualdade na lei - que opera numa fase de generalidade puramente abstrata - constitui exigência destinada ao legislador que, no processo de sua formação, nela não poderá incluir fatores de discriminação, responsáveis pela ruptura da ordem isonômica. A igualdade perante a lei, contudo, pressupondo lei já elaborada, traduz imposição destinada aos demais poderes estatais, que, na aplicação da norma legal, não poderão subordiná-la a critérios que ensejem tratamento seletivo ou discriminatório. A eventual inobservância desse postulado pelo legislador imporá ao ato estatal por ele elaborado e produzido a eiva de inconstitucionalidade.” (MI 58, Rel. Min. Celso de Mello, DJ 19/04/91)

ONDE ESTÁ A HONESTIDADE?

"[...] O seu dinheiro nasce

de repente

E embora não se saiba

se é verdade

Você acha nas ruas

Diariamente

Anéis, dinheiro e até

felicidade

E o povo já pergunta

com maldade

Onde está a honestidade?

Onde está a honestidade?

(Onde está a honestidade?, samba de *Noel Rosa)

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A política na conjuntura nacional tem projetado no inconsciente coletivo do cidadão comum a descrença, o sentimento de que "todo mundo é farinha do mesmo saco" e, produziu o maior dos males, maior até que a pobreza que assola nosso país, maior que a exclusão social que tanto tem enclausurado as famílias brasileiras atrás das jaulas de seus lares; o mal maior do que o toma-lá-da-cá da politica eleitoreira de políticos carreiristas e mestre na arte do jeitinho, que de Brasil só tem esses lobos em pele de brasileiro, foi a produção em massa do chamado: ANALFABETO POLÍTICO. Segundo a definição mais corrente, corrupção se define como:

“[...] apropriação ilegal de recursos públicos para fins privados. Sempre que há um agente público corrupto há também um interesse privado, que é o corruptor. Na chamada “pequena” corrupção, a do balcão, o perpetrante é um funcionário público individual, que se prevalece de sua posição para cobrar propinas para fazer aquilo que é sua obrigação. O interesse privado envolvido no ato não é apenas o do próprio funcionário, mas inclui também o cidadão que paga a gorjeta.

Essa “pequena” corrupção é muito problemática porque destrói a confiança do cidadão no poder público e sinaliza cotidianamente o desgaste das instituições. Em termos financeiros, porém, representa pouco. [...]”

(ABRAMO, artigo publicado no site www.krollworldwide.com)

Para o analfabeto político, filho da cultura da vantagem, cidadania é, apenas, votar uma vez a cada dois anos, e no fundo, se pudesse não votaria. Sua indignação pela situação de corrupção nas cadeiras do parlamento e do executivo se traduz no voto nulo, deixando para os outros o poder de decidir.
Sem dúvida, muitos dos problemas sociais que fatigam a nossa sociedade proliferam na impunidade dos crimes de corrupção. As contradições e perplexidades da populaçãop perante os dois pesos e duas medidas que colocam ladrão de galinha para cumprir pena por furto qualificado, e por outro lado, protege os criminosos de colarinho branco de responder judicialmente.

Por isso, enquanto, poucos cidadãos acompanham a a atividade politica para reconhecer aqueles que melhor vão representar os interesses da comunidade. Um batalhão de analfabetos políticos grita: EU VOTO NULO, POR QUE NÃO GOSTO DE POLÍTICA.



*Noel de Medeiros Rosa (Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1910 - 4 de maio de 1937) foi um sambista, cantor, compositor, bandolista, violonista brasileiro e um dos maiores e mais importantes artistas da música no Brasil.

E AGORA JOSÉ? TODOS SÃO IGUAIS, MAS ALGUNS SÃO MAIS IGUAIS QUE OS OUTROS

"E agora, José?
...
Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!"
Carlos Drumond de Andrade


A Constituição de 1988 no seu artigo 6ª decreta: "São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."
A desigualdade no Brasil, é sem dúvida alguma, o grande desafio para os operadores do Direito numa ordem jurídica que assume sua essência no conceito de Estado Democrático de Direito. Como explicar que uma das mais desenvolvidas economias do mundo, não garanta direitos tão básicos descritos como direitos sociais assegurados pelo diploma maior da república, mas nem por isso tão, flagrante mente violados por sua não efetividade.

Não deixa de ser oportuno relembrar a letra da canção:

"há muitas vozes repetindo a mesma frase:
(ninguém = ninguém)
me espanta que tanta gente minta
(descaradamente) a mesma mentira
são todos iguais e tão desiguais
uns mais iguais que os outros
há pouca água e muita sede
uma represa, um apartheid"
Engenheiros Do Hawaii

Falar de igualdade no Brasil presume uma irônica denúncia de um fato altamente, qual seja a da supremacia de classes sociais abastadas sobre as menos favorecidas. A estratificação social é marcada em alto relevo na sociedade brasileira, que parece não ter superado o velho paradigma da casa grande e da senzala, na mentalidade coronelista da elite brasileira ainda a espera que lhe batam a porta despertando o sono para anunciar que mais gente ganhou consciência de que o Brasil pode ser um grande Quilombo dos Palmares.